Por John Stephen Piper
Uma das maiores tarefas
da mente cristã é a imaginação. A mente observa,
analisa, organiza e memoriza... A imaginação, entretanto, é diferente. Ela não
observa ou analisa o que nós vemos; no entanto representa o que não vemos, mas
que pode realmente estar ali. Assim, ela é bastante útil à ciência, porque
ajuda a encontrar explicações para coisas que nós ainda não compreendemos,
levando a todo tipo de descoberta. Ou vislumbra novas formas de expressar
coisas de forma nunca ditas antes, como no caso da literatura, da música e das
artes.
Digo que a imaginação é uma tarefa
cristã por duas razões. Primeiro, porque sem ela não se consegue aplicar a
regra de ouro de Jesus. Ele disse: "Tudo quanto, pois, quereis que os
homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles" (Mt 7:12). Devemos nos
imaginar no lugar dos outros e imaginar o que gostaríamos que nos fizessem.
Compaixão, empatia, amor solidário apóiam-se muito na imaginação daquele que
ama.
Há milhares de formas para se dizer
coisas estúpidas e inúteis numa situação tensa, trágica ou alegre. "Como
maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo" (Pv
25:11). De que forma podemos dizer palavras que sejam "adequadamente
escolhidas"? Uma resposta é que o Espírito de Deus nos dá uma
"imaginação empática". "Empatia" significa que nos sentimos
como o outro. Quando abrimos os lábios, espontaneamente, com pouca reflexão,
imaginamos a coisa certa a dizer — ou não dizer — por causa dos outros. Sem
imaginação, seremos socialmente inadequados.
A outra razão para a imaginação ser
uma tarefa cristã é que quando alguém fala, escreve, canta ou pinta a respeito
de uma verdade empolgante, porém de forma enfadonha, provavelmente é um pecado.
A supremacia de Deus sobre a mente não é honrada quando ele e seu mundo
maravilhoso são observados de forma correta, mas comunicados de forma
enfadonha. A imaginação é a chave para matar o tédio. Devemos imaginar formas
de dizer a verdade pelo que ela realmente é. Isso não é enfadonho.
O mundo de Deus, e tudo que há nele,
é cercado de maravilhas. A imaginação evoca novas palavras, imagens, analogias,
metáforas, ilustrações e conexões para expressar a antiga e gloriosa verdade.
Deus nos dá a faculdade da imaginação para tornar a comunicação de sua beleza
realmente bela.
Poetas, pintores e pregadores não
tornam a beleza de Deus mais bela,mas a tornam mais visível. Eles removem a
neblina entorpecida de nossa percepção finita, falível, pecaminosamente
distorcida, e nos ajudam a ver a beleza de Deus por aquilo que ela realmente é.
A imaginação age como um telescópio em relação às estrelas: ele não as torna
grandes, elas o são sem ele, mas permite que sejam vistas como realmente são.
A imaginação pode ser a tarefa mais
difícil para a mente humana e, talvez, a mais relacionada com Deus. É a atitude
mais próxima que podemos ter dessa criação feita a partir do nada. Quando
falamos sobre a beleza da verdade, devemos pensar num arranjo de palavras,
talvez um poema. Devemos pensar em uma analogia, metáfora ou ilustração que
ainda não tenha sido inventada. A imaginação deve manifestar-se em nossa mente
trazendo aquilo que ainda não existe ali. Criar combinações de palavras e sons
jamais criados é o que podemos fazer. Tudo isso porque somos como Deus e porque
ele é infinitamente digno de novas palavras, canções e imagens.
Uma instituição comprometida com a
supremacia de Deus sobre a mente, cultivará imaginações férteis. O mundo
precisa de mentes impregnadas de Deus! Mentes que possam dizer, cantar, representar
e retratar as grandes obras de Deus da forma como nunca o foram antes.
A imaginação é como um músculo,
torna-se mais forte à medida que você a exercita. Então, exercite-a, pois ela
não costuma colocar-se sozinha em ação. Isso exige vontade. A imaginação também
é contagiante. Quando você está em companhia de pessoas que usam muito a
imaginação, tende a ser tomado por isso. Sugiro que você passe algum tempo com
algumas pessoas cheias de imaginação (principalmente os poetas já mortos) e
então, exercite-se ao pensar numa nova forma de dizer a velha verdade. Deus é
digno. "Cantai ao SENHOR um cântico novo" (SI 96:1; 98:1; Is 42:10),
ou lhe dê um filme, um poema, uma frase, uma pintura.
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