quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uma luz no crepúsculo - Martyn Lloyd Jones (1899-1981)


Nada há tão desesperador no mundo como a bancarrota da perspectiva não-cristã da vida. Charles Darwin no fim da vida confessou que o resultado de haver concentrado sua atenção em um único aspecto da vida foi que perdeu a capacidade de apreciar a poesia e a música, e, em grande medida, perdeu até a capacidade de apreciar a natureza. Pobre Darwin. . . O fim de H. G. Wells foi bem parecido. Ele, que havia dado tanto valor à mente e ao entendimento humano, e que havia ridicularizado o cristianismo com suas doutrinas do pecado e da salvação, no final da vida confessou-se frustrado e confuso.
O próprio título de seu último livro — Mind at the End of iís Tether (Mente Sem Mais Recursos) — dá eloqüente testemunho em prol do ensino bíblico sobre a tragédia que caracteriza o fim dos ímpios. Ou considere a frase da autobiografia de um racionalista como o dr. Marret, que foi diretor de uma faculdade, em Oxford... «Para mim, porém, a guerra pôs repentino fim ao longo verão de minha vida. Daí em diante, não tenho mais nada para ver pela frente senão o frio outono e o inverno mais frio ainda, e, contudo, devo esforçar-me de algum modo para não perder o ânimo».
A morte dos ímpios é coisa terrível. Leia as biografias deles. Passam os seus dias de esplendor. Não têm diante de si nenhuma expectativa bem-aventurada, e, à semelhança do que ocorreu ao falecido Lord Simon, procuram alento revivendo seus idos sucessos e triunfos.
No Livro de Provérbios lemos que «o caminho dos perversos é como a escuridão». «Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito» (Provérbios 4.19,18). Que glória! . . .ouça então ao apóstolo "Paulo (2 Timóteo 4.6-8).
Uma das mais soberbas apologias feitas por João Wesley, dos seus primeiros metodistas, era esta: «Nossa gente morre bem» ... A Bíblia, em toda parte, nos exorta a que ponderemos sobre o nosso «derradeiro fim» . . . Renda-se a Cristo e confie nEle e no Seu poder. . . E o fim será glorioso.

Faith on Trial, p. 51-3

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

“Uma prioridade dos pais” por Rebecca VanDoodewaard

“A primeira responsabilidade dos pais é de inculcar em seus filhos o senso absoluto de dever (para não dizer amor) à Cristo e à sua igreja. No entanto, muitas  crianças são enviadas à igreja e, apesar delas extraírem muito prazer e ajuda disso, tudo pode ser perdido se, ao atingir a adolescência, elas estão autorizadas a colocar tarefas menores, até mesmo prazeres, acima de Cristo e da Igreja.
Que recreações e diversões crianças têm permissão para desfrutar é um assunto muito difícil para os pais decidirem, e eles precisam da orientação de Deus. Isto não é apenas uma questão de onde nós permitimos as crianças irem, mas quando. O verdadeiro teste sobre se nossos prazeres são certos ou errados é quando eles colidem com a igreja. O que então devemos fazer? Eu temo pouco por alguém, jovem ou velho, quaisquer que sejam seus prazeres que eles  se permitam,  que, quando houver um choque, ponham Cristo e Sua igreja em primeiro lugar. Mas essa é uma questão mais profunda do que simples prazer. Não é meramente Cristo contra diversão. Mas sim  Cristo contra nós mesmos. Quando temos algo que requer um extra do nosso tempo e diz respeito a vantagem pessoal, o que é que será prejudicado? É o nosso trabalho, as nossas noites de lazer, ou a nossa presença na casa de Deus?
Existem dois métodos de buscar ganhar jovens para Cristo. Há o caminho mais longo, que procede astuciosamente com muita paciência e fervorosa esperança, prendendo os jovens através de alguma forma de interesse humano. Há também o caminho mais curto, que vai direto ao ponto, ressaltando que se os jovens quiserem seguir a Cristo eles não podem ‘engavetar’ para sempre as responsabilidades e os desafios de uma vida cristã. Eles serão mostrados que a vida cristã não é fácil, e como cristãos, eles frequentemente têm que se juntar a uma minoria desprezada, e às vezes, ficarem sozinhos por amor a Cristo. A experiência mostra que o resultado final de qualquer um dos métodos é o mesmo. O primeiro método não ganha nenhum jovem a mais para Cristo do que o segundo método. O teste do trabalho com as crianças (ou seja, programas da igreja) é se os jovens que têm professado sua fé na infância definitivamente escolhem a Cristo e ficam com Ele durante sua juventude.
A questão que tem sido feita (sinceramente) por várias pessoas que se preocupam com os jovens de nossas Igrejas é, ‘O que você vai  proporcionar àqueles jovens que não vão aos cultos dominicais, cultos do meio de semana e as reuniões de oração?” A resposta é,’nada!’. Se na adolescência os jovens não aprenderam a desfrutar dos serviços da Igreja, então nós, pais, falhamos, ou eles falharam. Dizer que devemos proporcionar  alternativas para aqueles que não tem gosto ou inclinação para o que Cristo e sua igreja proporcionam é uma impertinência que insulta nosso Senhor Jesus Cristo.
Há momentos em que parece que os pais, ativa ou passivamente incentivam os filhos a colocar outras coisas diante da Igreja.  Seria uma coisa terrível se um dia fosse dito  que os pais levaram seus filhos a se desviarem. Ainda sim, muitos pais estão tão ansiosos para que seus filhos vivam suas vidas ‘ao máximo’, que eles  tendem a estimular ou permitir demasiadas diversões. Eu pleitearia com os pais para incentivar seus filhotes a fazer da igreja o coração e o centro de suas vidas. No entanto, é duvidoso que possam persuadi-los a fazer  o que eles mesmos não conseguem fazer. A máxima, “não faça como eu faço, faça como eu digo” nunca funcionou com os jovens. Se eles não  seguirem seus pais, a quem eles seguirão?”

Letters of William Still, 26-27, 32-34.
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Este post é uma tradução de um artigo de Rebecca VanDoodewaard publicado originalmente no Blog “The Christian Pundit”, traduzido e re-publicado com permissão da autora.
*Rebecca VanDoodewaard é dona de casa, editora free-lancer e escritora. Ela é esposa do Dr. William VanDoodewaard, ministro da Associate Reformed Presbyterian Church e professor de História da Igreja no Puritan Reformed Theological Seminary, com quem tem 3 filhos. O casal bloga no “The Christian Pundit”
** Tradução: Davi Quaresma

segunda-feira, 8 de julho de 2013

"Eu serei o seu Deus." Jeremias 31.33


Cristão! Isto é tudo o que você pode desejar. Para fazê-lo feliz, você deseja alguma coisa que o satisfaça; e isto não é o bastante? Se você pode despejar esta promessa em sua taça, não dirá com Davi: "O meu cálice transborda" e "Tenho mais do que o meu coração pode desejar"? Quando isto se cumpre - "Eu sou o seu Deus" -, você não se sente possuidor de todas as coisas?O desejo é insaciável como a morte, mas Ele, que sacia a todos em tudo, pode saciá-lo. Quem pode medir a capacidade de nossos desejos? Mas a incomensurável riqueza de Deus pode mais do que transbordá-la. Pergunto-lhe se não está completo quando Deus é seu? Você deseja outra coisa senão Deus? A total suficiência dele não é bastante para satisfazê-lo, se tudo o mais falhar? Mas você deseja mais do que uma satisfação tranqüila: você deseja o deleite arrebatador.Venha, alma, aqui há música apropriada para o céu nesta sua porção, pois Deus é o Criador do céu. Nem toda música que saí de instrumentos suaves, ou extraída de cordas vibrantes, pode produzir tal melodia como esta doce promessa: "Eu serei o seu Deus." Aqui está um profundo mar de bonança, um oceano deleitoso sem limites; venha, banhe o seu espírito nele; nade ao longo de toda uma era, e não achará nenhuma praia; mergulhe por toda a eternidade, e não encontrará o fundo. "Eu serei o seu Deus." Se isto não faz seus olhos cintilarem e seu coração bater alto em plena felicidade, então certamente sua alma não está em condição saudável. Mas você deseja mais do que deleites do momento: você anela por alguma coisa que se refira àquilo em que pode exercitar a esperança; e o que mais pode esperar do que o cumprimento desta grande promessa: "Eu serei o seu Deus"? Esta é a obra-prima de todas as promessas; seu desfrute traz o céu à terra e fará um céu acima. Habite na luz de seu Senhor e deixe que sua alma seja sempre arrebatada pelo amor do Pai. Retire o tutano e a gordura que esta porção lhe proporciona. Viva plenamente os seus privilégios e alegre-se com alegria indizível.

domingo, 2 de junho de 2013

AUTONEGAÇÃO

Somos muito pobres no que diz respeito à autonegação nos dias de hoje. Nós mal sabemos o que isso significa, muito menos experimentamos a alegria de poder exercitar isso. Nós não conseguimos compreender que sem a autonegação nós podemos vir até a ter tudo, mas não teremos um pingo de felicidade. Não é a toa que a nossa vida não contagia as outras pessoas! Quão importante é a dimensão sacrifical da verdadeira piedade. Para Calvino, autonegação significava compreender que não somos donos de nós mesmos, pertencemos a Deus. Isso significa desejar que a nossa vida esteja completamente focada em n’Ele, rendendo tudo o que somos como um sacrifício vivo. Portanto, o que quer que Deus faça conosco é bom, porque essa é a Sua vontade.
Se Deus nos santifica, nós seremos mais influentes para os outros quando estivermos mais afligidos. As pessoas irão olhar para nós mais de perto para ver se e como a fé nos sustenta.
Primeiro, muitos de nós hoje em dia, que professamos a Cristo nos acostumamos com padrões muito baixos. Nos acostumamos com a mediocridade. Nós vivemos muito abaixo de nossos privilégios como cristãos. Os velocistas do mundo esforçam-se por excelência enquanto correm sua carreira, mas nós cristãos muitas vezes ficamos à margem, raramente deixamos alguém impressionado com nossa vida cristã e pouquíssimas vezes testemunhamos pra alguém a alegria de conhecer Jesus Cristo. Que vergonha de nós mesmos por fazermos do evangelho algo tão banal, tão medíocre e tão desagradável.
Nós não teremos vidas perfeitas. Nós  podemos tropeçar algumas vezes. Mas pela graça do Santo Espírito e pelo amor de Cristo, nós podemos viver contagiando pessoas. E nós podemos testificar pra nós mesmos e para os outros que o único caminho pra se viver, o caminho pra se viver com um propósito, o alegre caminho pra se viver é viver contagiosamente pra glória de Deus, em Cristo, pela fé através da graça. Soli Deo Gloria!

Por Dr. Joel Beeke k


*Esse artigo é parte do primeiro capítulo do livro “Contagious Christian Living” (Vida Cristã Contagiante) da Reformation Heritage Books and Pryntirion Press traduzido com permissão do autor.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Senhor fortalece os seus na hora da debilidade

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço,” Isaías 41:10

Quando somos chamados a servir e sofrer, fazemos um inventário de nossas forças, e descobrimos que são menores do que pensávamos, e mais inferiores do que necessitávamos. Porem, nosso coração não deverá se abater em nosso intimo, já que contamos com uma palavra com essa, na que podemos nos apoiar, pois garante-nos tudo aquilo que possamos necessitar. Deus tem uma força onipotente, e Ele pode comunicar-nos essa força, e promete que assim fará. Ele será o alimento para nossa alma, e a saúde de nossos corações – e , assim, Ele nos dará força. Não se pode saber quanto poder Deus colocará em um homem. Quando a fortaleza divina vêm, a debilidade humana já não é mais um obstáculo.
Não recordamos de épocas de labores e provas nas que recebemos tal fortaleza especial que nos espantamos com nós mesmo? Em meio do perigo, conservamos a calma, diante da perda se seres queridos, estivemos resignados; em frente à calúnia, possuímos domínio próprio, e na enfermidade estávamos pacientes. O fato é que Deus provê uma força inesperada quando provas inusitadas nos sobrevém. Nos levantamos por cima de nossas frágeis constituições. Os covardes fazem o papel de homens, os insensatos recebem sabedoria, e aos quietos lhes é dado no preciso instante o que haverão de falar. Minha própria debilidade faz com que eu me acovarde, porem, a promessa de Deus converte-me em valente. Senhor, fortalece-me “conforme Tu disseste.”

[Por Charles Hadon Spurgeon]

segunda-feira, 27 de maio de 2013

John Bunyan em: O peregrino

"Ambiciono subir o monte, apesar de alto;
A dificuldade não me deterá,
Pois eu percebo que o caminho para a vida está aqui.
Vem, meu coração, partamos, não desfaleçamos nem temamos;
É melhor seguir o caminho certo, apesar de difícil,
Do que o errado, apesar de fácil, onde o fim é a desgraça."

[Por John Bunyan em "O Peregrino"]

Esta é a vida para Bunyan – experimentada na prisão e explicada em parábolas. Mas nós, cristãos ocidentais modernos, vemos lazer e segurança como um direito. Nós nos mudamos de vizinhanças ruins. Abandonamos relacionamentos difíceis. Não vamos para grupos de pessoas perigosas, não alcançadas.
Bunyan nos acena para que ouçamos outra vez a Jesus e a seus apóstolos. Jesus nunca nos chamou para viver uma vida de segurança, nem mesmo para entrar numa briga que fosse justa – “Ovelhas no meio de lobos” é a forma como Ele descreve que somos enviados (Lc 10.3). “Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna” (Jo 12.25). “Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33). Nós não deveríamos ser “abalados por essas tribulações... [pois] somos designados para isso”  (1Ts 3.3). Fé e sofrimento são dois grandes dons de Deus:  “A vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas padecer por Ele” (Fp 1.29)

[Por John Piper em "O sorriso escondido de Deus"]